Rogério de Paula
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Saúde do Homem · 14 min

Cultura masculina que dispensa o autocuidado dificulta realização de exames

29 de novembro de 2022

Participantes reforçaram a importância de mudar a cultura masculina, que costuma dispensar o autocuidado — e como isso atrasa prevenção e diagnóstico.

Cuidado e prevenção em saúde do homem

A importância da prevenção ao câncer de próstata e do tratamento aos sintomas da andropausa e outras doenças que acometem os homens adultos foi debatida pela Comissão de Saúde e Saneamento em audiência pública, nesta quarta-feira (30/11). Silencioso, o câncer de próstata é rastreado pelas unidades básicas de saúde por meio de exames de sangue (Antígeno Prostático Específico - PSA) e do toque da próstata, a partir dos 45 anos em pacientes com histórico familiar e na população geral em homens acima de 50 anos, segundo a Prefeitura. Mas, de acordo com especialistas, preconceitos e padrões inalcançáveis de masculinidade podem contribuir para que o homem não busque prevenir a doença e tratar a impotência sexual, muitas vezes associada à queda hormonal própria da idade. Nesse sentido, a quebra de estereótipos e o estímulo ao autocuidado fazem toda diferença para a preservação da saúde do homem.

Chamando atenção para o Novembro Azul e associando a campanha sobre a saúde do homem ao reconhecido Outubro Rosa, Cláudio do Mundo Novo (PSD), que solicitou a audiência, lembrou a passagem dos dias 17 e 19 de novembro, respectivamente, Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata e Dia Internacional do Homem. Para ele, com mais informação e sem preconceito, o homem tem mais chance de diagnóstico precoce do câncer de próstata. José Ferreira (PP), Rubão (PP), Fernando Luiz (PSD) e Wilsinho da Tabu (PP) enfatizaram a importância do evento para defender a vida e combater a resistência contra o exame de toque. “Por conta de um orgulho, o homem pode perder a vida”, ressaltou Rubão. O assessor jurídico do vereador Wilsinho da Tabu, Wagner Diniz, que faleceu recentemente devido ao câncer recebeu uma homenagem especial.

Atendimento na rede pública: representantes da Secretaria Municipal de Saúde explicaram que o atendimento para o diagnóstico ao câncer de próstata é feito nos 156 centros de saúde de Belo Horizonte, onde, diante de um histórico familiar ou de sintomas apresentados pelo paciente, é solicitado o PSA, um marcador que auxilia a detecção do câncer de próstata. Outra maneira de detecção da doença é o exame de toque, realizado por um urologista ou médico de família. Francieli Jamaica, enfermeira e coordenadora da Atenção Integral à Saúde do Adulto e do Idoso, explicou que a andropausa é uma queda de hormônios como a testosterona, que pode ter ou não repercussão na saúde do homem. Quando o paciente apresenta sintomas, ele é encaminhado para um urologista ou endocrinologista, e é feito um rastreamento.

A coordenadora acrescentou que a procura de prevenção e tratamento e a busca de modificação de hábitos são o grande desafio da população masculina adulta também no enfrentamento de doenças cardiovasculares, hipertensão e diabetes. “O câncer de próstata, em geral, não apresenta sintomas”, alertou a médica da família Aline Franco, referência técnica da Coordenadoria de Atenção Integral à Saúde do Adulto e do Idoso. Ela disse que é possível, mas menos provável, que o homem apresente sintomas como dificuldade de urinar e uma sensação de peso no assoalho pélvico. Segundo a médica, o rastreamento do câncer de próstata nos centros de saúde é feito a partir dos 45 anos em pacientes com histórico familiar e na população geral em homens acima de 50 anos.

Desconstrução do machismo: psicólogos e psicanalistas da Sociedade psicanalítica Summus de Minas Gerais discutiram as dificuldades que os homens adultos têm em priorizar a prevenção e o diagnóstico das doenças em debate e de outras como diabetes. Eles afirmaram que estereótipos de força e performance inatingíveis podem atrapalhar a necessidade de cuidado que todos precisam na vida adulta e durante o envelhecimento.

Osvaldo José da Silva Junior afirmou que o sujeito que foge da prevenção e do cuidado pode ter a fantasia de que se procurar uma doença, pode encontrar, e se não procurar, não irá encontrá-la. Ele ressaltou que cuidar de si requer “força, cultura e conhecimento”. Andrea Caldas acrescentou que a cultura machista se manifesta de forma diferente entre os jovens, e deve ser desconstruída. Jefferson Manuel Dias de Paula defendeu a necessidade de o homem sair do senso comum: “o que o outro fala pode até me afetar, mas não me desestabiliza”.

Espaço de reflexão e autocuidado

Rogério Moreira de Paula refletiu o homem que se ocupa com o poder não tem tempo para o amor às pessoas e a si mesmo, e acrescentou que o verdadeiro poder inclui o cuidado, inclusive o da alma. A sexóloga Joelma Sabino Costa disse que existe uma cobrança muito grande a respeito dos homens acima de 40 anos, criados sem educação para prevenção e em um ambiente em que não podem errar e têm que proteger e sustentar. Sem tempo para refazer forças, eles acabam não olhando para si e rejeitam a ideia de irem a um urologista ou psicanalista por não aceitarem a possibilidade de estarem doentes.

Nesse ambiente, muitos homens apresentam diabetes e andropausa e não se tratam. Joelma afirmou ser importante “valorizar a beleza que ele é enquanto homem” e a possibilidade de “descansar em si mesmo”, defendendo ser importante que o homem possa se reeducar, passando a considerar um sucesso alcançar seus próprios limites.

A cidadã Rosilene Aparecida enviou mensagem contando que o esposo fez exame de próstata com 40 anos, o resultado foi negativo e ele foi aconselhado a repeti-lo aos 45 anos. Ao fazer exame no ano seguinte, detectou o câncer de próstata, se tratou e está curado. Assessor parlamentar de Cláudio do Mundo Novo, o psicólogo Reinaldo Carlos disse ter se surpreendido com o enfoque dado à questão da saúde pública nessa legislatura.

Integrante de um grupo de reflexão masculino católico, Carlos também defendeu a importância de repensar o machismo estruturante da sociedade, que gera uma carga excessiva nos homens, e do estímulo ao olhar interno e ao cuidado de si. Joelma Sabino Costa deixou um apelo para que os homens se cuidem e se vejam com amor, porque toda a humanidade precisa deles. Rubão disse que a cultura mudou, os homens devem se cuidar para cuidarem da família e as mulheres devem ser respeitadas e estarem onde quiserem. O debate sobre esta e outras questões do universo masculino deve continuar em novos encontros, assegurou Cláudio do Mundo Novo.

Do ponto de vista clínico, o debate reforça algo essencial: prevenção e escuta andam juntas. Homens que aprendem a falar de medo, vergonha e vulnerabilidade tendem a procurar ajuda mais cedo — seja no posto de saúde, no urologista ou em um espaço terapêutico.

No Espaço Terapêutico Rogério de Paula, acolhemos homens que desejam romper com o silêncio e o orgulho que afastam do cuidado. A psicanálise e a escuta clínica são caminhos para transformar a relação consigo mesmo — e cuidar da saúde física e emocional com responsabilidade. Se este tema ressoa com você, leia também nossos conteúdos sobre saúde emocional masculina e considere agendar uma avaliação.

Fonte original: Portal CMBH — Câmara Municipal de Belo Horizonte. Conteúdo reproduzido para fins informativos e de educação em saúde emocional.

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